Grandes Nomes do Mundo da Beleza: Shu Uemura

Olá, meus amores! Como vocês estão?

Senti tanta falta de escrever novos capítulos do Grandes Nomes do Mundo da Beleza. Prometo que não vou deixar mais a série em um hiato tão longo.

E para matar as saudades, decidi escrever um perfil sobre o icônico maquiador Shu Uemura

Shu Uemura nasceu em 19 de julho de 1928, em Tokyo, Japão. Ele era o herdeiro de uma tradicional família de empresários e banqueiros.

Desde a adolescência, ele sonhava em se tornar um ator. Porém, ao final da Segunda Guerra Mundial, o jovem Uemura foi diagnosticado com tuberculose e ficou de cama por cinco anos.

A doença deixou o corpo de Uemura frágil. O jovem japonês passou o longo período de recuperação pensando em uma carreira artística que não exigisse uma compleição forte.

Logo após estar curado, Uemura se inscreveu em um curso de design de moda. Mas ele percebeu que sua verdadeira vocação estava nos pincéis de maquiagem.

Uemura então ingressou na Academia de Beleza de Tokyo. Ele era o único aluno homem em uma sala de 130 estudantes.

Em 1957, o filme A Rosa do Oriente começou a ser rodado no Japão. O maquiador da produção foi até a Academia de Beleza de Tokyo em busca de um assistente que falasse inglês e fosse homem. E assim a carreira internacional de Shu Uemura começava.

Após a realização de A Rosa do Oriente, o artista decidiu se mudar para os Estados Unidos, a fim de trabalhar nos filmes de Hollywood.

O primeiro grande trabalho na carreira de Uemura veio com o filme Minha Doce Gueixa. O maquiador chefe da produção ficou doente e precisou ser substituído peloassistente japonês.

E assim, Shu Uemura foi encarregado de transformar a atriz Shirley MacLaine em uma verdeira gueixa, com maquiagem e traços asiáticos.

Uemura utilizou próteses e outros acessórios especiais para criar os traços asiáticos em Shirley. A transformação da atriz ficou tão perfeita, que ele era constantemente aplaudido por todos da produção.

Com esse trabalho, Shu começou a maquiar celebridades como Marilyn Monroe, Lucille Ball, Edward G. Robinson e Frank Sinatra.

O artista japonês ficou encarregado de fazer as maquiagens de Sinatra no longa Os Bravos Morrem Lutando.

Sinatra ficou encantado com o trabalho de Uemura. O cantor presenteou o maquiador em seu aniversário com uma maleta de maquiagem. O item foi especialmente gravado com a frase “Shu, Shu Baby”.

A frase fazia referência a canção “Sho Sho Baby”, muito popular na época.

Essa maleta foi um dos presentes prediletos de Shu. Ele a guardou a maleta com carinho ao longo de sua vida.

Em meados dos anos 60, Shu Uemura decidiu voltar ao Japão para ensinar suas experiências aos futuros maquiadores. Naquele ano ele fundou o Instituto de Maquiagem Shu Uemura.

E em 1967, o artista japonês decidiu lançar sua própria marca de cosméticos, inicialmente chamada Japan Makeup Inc. Em 1983 o nome da empresa seria oficialmente mudado para Shu Uemura, como é até os dias de hoje.

O primeiro produto lançado por Shu Uemura foi um cleasing oil, produto que até hoje é um dos best sellers da marca.

Shu Uemura foi o responsável por popularizar o uso do cleansing oil em Hollywood. Atrizes como Elizabeth Taylor e Lucille Ball tornaram-se fãs das técnicas de skincare do artista.

O maquiador sempre foi um grande entusiasta da filosofia de skincare. Ele pregava que a saúde da pele é o aspecto mais importante de uma maquiagem.

Uemura não só trabalhou ativamente no desenvolvimento da indústria de cosméticos, além do treinamento de novos maquiadores, como aliou o mundo da beleza com o da moda.

A Shu Uemura foi a primeira marca a alinhar o lançamento de coleções de make com o mercado fashion. A empresa japonesa lançava suas linhas simultaneamente às semanas de moda internacionais.

No começo dos anos 2000, o icônico maquiador vendeu a marca para a L’oréal. Porém, ele continuou trabalhando na parte criativa da mesma até o seu falecimento, em 2007.

Segundo ele próprio, a venda da Shu Uemura para a L’oréal permitiu que a empresa tivesse alcance internacional.

Assim Shu conseguiu firmar parcerias com grandes celebridades como Madonna e Karl Lagerfeld, além de seus produtos se tornarem desejados por todos ao redor do globo.

Mesmo longe das telonas Uemura continuou influenciando o cinema de Hollywood. Os pincéis da marca foram usados para criar as maquiagens de Memórias de Uma Gueixa.

A aparição mais famosa da marca na sétima arte ocorreu durante o filme O Diabo Veste Prada. Miranda Priestly cita os curvex da marca. O item se tornou desejo absoluto após o lançamento do longa.

Shu Uemura faleceu em 2007, aos 79 anos de idade, devido a uma pneumonia.

O maquiador deixou um legado tanto na indústria asiática de cosméticos quanto no cinema hollywoodiano.

Uemura foi responsável por modernizar a profissão de maquiador no Japão, ao unir os conhecimentos ocidentais com as técnicas clássicas de maquiagem japonesa.

O icônico maquiador também foi muito influente na expansão e modernização dos produtos de skincare e maquiagem. Além disso, Uemura ajudou na crescimento e valorização dos cosméticos asiáticos no Ocidente.

Gostaram do capítulo de hoje? Desde o começo da série eu sonhava com o dia que contaria a história dele por aqui, sabiam?

Qual personalidade deve protagonizar o próximo capítulo? Deixem aqui as suas sugestões.

Grandes Nomes do Mundo da Beleza: Ben Nye

Olá, meus amores! Tudo bem com vocês?

Este é o primeiro capítulo do Grandes Nomes da Beleza de 2019. Eu não tenho palavras para agradecer todo o sucesso dessa série.

E eu decidi começar o ano de 2019 com um perfil que eu acredito que muitos irão amar. Hoje é dia de falar sobre a vida do maquiador Ben Nye.

Benjamin Emmet Nye nasceu no dia 12 de janeiro de 1907 em Fremont, Nebraska. Durante a adolescência, os pais de Ben, Charles and Josephine Nye, mudaram-se com toda a família para a cidade de Omaha.

O jovem Ben já começou a se interessar em maquiagem ainda no período do colegial. Nye fazia as maquiagens das peças de teatro da escola.

Porém, os pais de Ben insistiram que ele seguisse carreira como geógrafo. Nye se matriculou no curso na Universidade de Nebraska.

Contudo, um professor de Ben o aconselhou a largar o curso de geografia e seguir uma carreira artística. O educador acreditava que o aluno estava desperdiçando seus talentos para arte na faculdade.

Ben seguiu os conselhos do professor e mudou-se para Los Angeles, onde um tio o ajudou a entrar na indústria do cinema.

O jovem começou trabalhando na Fox Studios. A função de Nye era transcrever partituras usadas nos filmes. E apesar de achar o trabalho bastante monótono, Ben passou três anos na função fazendo networking, já visando uma vaga no departamento de maquiagem.

Através desses contatos, Ben Nye conseguiu se tornar aprendiz de Montague “Monte” Westmore, um maquiador extremamente respeitado na indústria do cinema.

Durante o estágio ao lado de Westmore, Ben conseguiu construir uma reputação e já começou a ser o chefe do departamento de maquiagem em filmes importantes.

Em 1937 ele foi o chefe de maquiagem do filme O Velho Chicago. Nessa produção ele supervisionou e preparou a maquiagem de cada personagem. Esse perfeccionismo foi uma das marcas da carreira de Ben Nye.

Mas foi em 1939, com o filme Jesse James, que a carreira do maquiador deu um salto. Para essa produção Ben Nye criou uma barba fake no ator Tyrone Power, que não possuía pelos na região. O artista usou pelos humanos para conseguir criar a barba falsa.

E no mesmo ano Ben Nye foi contratado para fazer as maquiagens de E o Vento Levou. Curiosamente Ben foi aprovado para o projeto porque conseguiu criar rugas fake na pele do irmão e ator Robert Caroll Nye.

Durante as filmagens de E o Vento Levou, Ben ficou encarregado de maquiar a atriz Hattie McDaniel. E para conseguir o tom de base perfeito ele começou a produzir bases especiais para negros.

Foi a partir de E o Vento Levou que Ben Nye decidiu criar sua própria linha de maquiagem, voltada à indústria do cinema. O maquiador se especializou em criar itens para peles até então pouco representadas, como negras e asiáticas.

Nos anos 40 ele trabalhava como maquiador freelancer para a Paramount Pictures, Warner Brothers Studios e Fox Studios. Naquele período ele chegou a fazer as maquiagens de mais de cinco filmes ao mesmo tempo.

E durante aquela década, Ben Nye criou cursos para ensinar e preparar novos maquiadores para a indústria cinematográfica.

Do final da década de 40 até 1960 Ben teve a fase mais criativa e experimental da carreira. Ele se tornou o grande nome de próteses em filmes e conseguia transformar completamente a aparência dos atores.

Ben Nye trabalhou e supervisionou cerca de 500 filmes, dentre eles Os Homens Preferem as Loiras, A Noviça Rebelde, O Planeta dos Macacos e O Vale das Bonecas e Cleópatra.

Em 1967 Ben Nye se aposentou. Porém, no mesmo ano Nye decidiu continuar seu legado com a criação da marca de make homônima. O maquiador escolheu o filho Dana para ser presidente do negócio, cargo ocupado pelo mesmo até os dias de hoje.

Ben Nye faleceu em 09 de fevereiro de 1986, em Santa Mônica, Califórnia. O filho Dana continuou como presidente da marca de maquiagem, e Ben Nye Junior seguiu os passos do pai ao ser maquiador na indústria de cinema.

Ben Nye Jr. foi o maquiador de grandes filmes como Memórias de Uma Gueixa, A Múmia, Ghost-Do Outro Lado da Vida e Endiabrado.

Alguns anos atrás a Ben Nye era conhecida apenas no nicho cinematográfico. Mas a empresa teve um boom de vendas após o maquiador Mario Dedivanovic, queridinho da Kim Kardashian, ensinar o badalado contorno da empresária com o pó Banana da marca.

Hoje a marca Ben Nye é popular entre maquiadoras e blogueiras que se apaixonaram pelo pó solto, pela cola para cílios ou pela cola de glitter. O que era antes make de cinema se tornou febre graças à Kim Kardashian.

Ben Nye foi um maquiador revolucionário e um dos grandes responsáveis pela maquiagem se tornar respeitada no cinema.

Não só ele ajudou a construir a indústria do cinema, mas ele também foi uma das primeiras pessoas a investir para que o mercado de beleza fosse mais inclusivo e democrático.

Vocês gostaram do capítulo de hoje? Qual a próxima personalidade que vocês querem que eu fale sobre?

Grandes Nomes do Mundo da Beleza: Anna Pegova

Olá, meus amores! Estavam com saudades do Grandes Nomes do Mundo da Beleza?

Neste capítulo vou falar sobre a cosmetóloga Anna Pegova. Infelizmente a história de Anna foi se perdendo ao longo dos anos. Existem poucos registros dos acontecimentos da vida da empresária.

Mas acredito que é essencial dedicar um episódio dessa série a Anna, mesmo que ele seja mais curto e menos detalhado que os anteriores.

Anna Pegova nasceu em 1886 (ou em 1896, depende da fonte), na Rússia. A cosmetóloga mudou-se em 1920 à Paris, França, por conta da Revolução Russa.

Foi a partir dos anos 1930 que Anna começou a ingressar na indústria de cosméticos. A russa tornou-se amiga de Helena Rubinstein e decidiu seguir pelo ramo do skincare.

A cosmetóloga passou anos estudando ativos, fórmulas e técnicas estéticas. E ela teve seu nome consagrado no universo da beleza pela criação do peeling vegetal. 

O peeling vegetal (ou gomagem) é uma técnica estética que remove as células mortas da pele, deixando-a mais macia e cheia de viço.

O desejo de Anna era abrir um instituto de beleza em que ela pudesse oferecer um serviço personalizado de skincare aos clientes.

A inauguração do espaço foi adiada por conta da Segunda Guerra Mundial. Contudo, em 1947, a empresária abre o Institut Anna Pegova, na Avenida Matignon, Paris.

Logo os tratamentos e o Instituto de Anna Pegova se tornaram um sucesso na Cidade Luz. Dentre artistas e nomes de peso da época, Edith Piaf foi sua cliente assídua mais conhecida.

Anna Pegova decidiu explorar o mundo viajando por países como Inglaterra, Canadá, Argentina, Austrália e Brasil. A ideia da russa era levar a marca francesa para outros territórios, além de absorver os conhecimentos e matérias primas de outras regiões do globo.

Anna Pegova ficou fascinada com o nosso país, e decidiu-se instalar nele para desenvolver tratamentos de skincare ao lado de renomados cirurgiões plásticos.

Quando a cosmetóloga faleceu, seu filho continuou o legado da mãe. Decidido em voltar às raízes francesas, em 1991, o herdeiro de Pegova inaugurou um novo Instituto na esquina da Rua Royale e do Faubourg Saint Honoré.

Poucos anos depois, um grupo de negócios independente adquiriu a empresa do filho de Anna Pegova. Os novos investidores não possuíam uma equipe de desenvolvimento de produtos, por isso que a marca foi fechada na França. A partir daí, a Anna Pegova passou a se concentrar apenas no Brasil.

O compromisso da cosmetóloga sempre foi de preservar a juventude das mulheres com dermocosméticos e tratamentos estéticos altamente tecnológicos.

Há mais de 40 anos no Brasil, a marca se consolidou com uma rede de renomados institutos de beleza. Hoje a empresa conta com um extenso portfolio de produtos de skincare e até de maquiagem.

Assim como outros grandes nomes dessa série, Anna Pegova foi uma mulher que dedicou toda a sua vida para criar tratamentos e padrões de skincare que usamos até os dias de hoje. 

É uma pena que pouco se sabe sobre os detalhes da vida de Anna. O esquecimento de histórias como essa acarreta no esquecimento da própria História da humanidade.

E nós – não só como consumidoras assíduas de beleza, mas como mulheres- devemos trabalhar para preservar a história de marcas e nomes que nos acompanham durante uma vida inteira.

Vocês gostaram da história de Anna Pegova? Qual próxima personalidade vocês querem que eu retrate?